Olá Marcadores! Como prometido estou aqui hoje para iniciar as Edições Especiais, tendo esse mês como assunto central as Escolas ou Movimentos Literários. Bom, mas antes de tudo vamos começar com uma Introdução e Periodização da Literatura (lembrando que nenhum movimento literário tem data exata de término ou início, sendo esta estabelecida apenas para fins didáticos, facilitando a organização cronológica).
Como vamos falar de Trovadorismo, vamos falar de Literatura Portuguesa! Então comecemos.
A história da literatura portuguesa tem início em meados do século XII, como Portugal se constitui como estado independente.
Encontram-se divididos em três grandes eras os mais de oito séculos de produção literária portuguesa:
- Era Medieval, Era Clássica, Era Romântica ou Moderna.
Estas eras literárias foram divididas em fases menores, em função dos estilos individuais dos artistas, contexto histórico e tendências de cada período, formando as Escolas Literárias. Vejamos a periodização de cada Escola para um maior entendimento ao decorrer dessa Edição Especial.
PORTUGAL
Era Medieval- Trovadorismo (1189), Humanismo (1418);
Era Clássica- Classicismo (1527), Barroco (1580), Arcadismo (1756);
Era Romântica/ Moderna- Romantismo (1825), Realismo/ Naturalismo (1865), Simbolismo (1890), Modernismo (1915).
Agora que já temos uma base periódica, vamos mergulhar fundo no maravilhoso e encantador mundo do TROVADORISMO.
Os Trovadores nada mais eram que os ''poetas'' da Idade Média. O termo trovador origina-se de trobadour, que significava ''achar'' ou '' encontrar, isso porque cabia ao trovador ''encontrar'' a melodia e adequá-la ao versos. As composições eram basicamente compostas para serem cantadas acompanhadas de instrumentos como a lira, a cítara, harpa ou viola, por isso são chamadas de cantigas. Vejamos agora alguns artistas medievais:
Trovador - geralmente nobre, possuidor de uma cultura erudita, não recebia por suas composições;
Jogral - compositor, saltimbanco ou ator que recebia por suas apresentações;
Segrel - fidalgo decaído que apresentava-se nas cortes, em troca de dinheiro, juntamente com seu jogral. Pode ser considerado um trovador profissional;
Menestrel - artista que servia a uma determinada corte;
Jogralesa ou soldadeira - moça que acompanhava os artistas dançando, cantando e tocando castanholas.
#MARCAÇÃO CURIOSA
O primeiro texto literário que se tem registro é a ''Cantiga da Guarvaia'' ou ''Cantiga da Ribeirinha'' (1189 ou 1198), cantiga de amor de autoria de Paio Soares de Taiverós.
Falemos um pouco sobre o contexto histórico-cultural então. Os séculos XI e XII são marcados pelo Feudalismo no plano político-econômico e pelo espírito teocêntrico (deus como o centro de todas as coisas) no plano religioso. A sociedade medieval era basicamente composta por clero, nobreza e camponeses, estava estruturada numa relação de suserania e vassalagem, onde o vassalo(povo) servia e obedecia ao suserano (senhor feudal) em troca de proteção e assistência econômica. Essa estrutura era reforçada pelo teocentrismo que difundia a relação de destino e aceitação das posições sociais, gerando acomodação por parte da sociedade (maldita estagnação, atrasou tanta coisa).
Produções Literárias ( finalmente)
O que conhecemos como da poesia trovadoresca antes do aparecimento da escrita, está contido em obras conhecidas como cancioneiros, manuscritos antigos encontrados a partir do final do século XVIII. Os três mais importantes são:
- Cancioneiro da Ajuda ou do Real Colégio dos Nobres – reúne 310 composições, das quais 304 são cantigas de amor ,foi organizado por D. Dinis e é o mais antigo de todos. Encontra-se na Biblioteca da Ajuda, em Portugal.
- Cancioneiro da Vaticana – reúne 1205 poesias, de autoria de163 trovadores. Conserva-se ainda hoje na Biblioteca do Vaticano, em Roma.
- Cancioneiro da Biblioteca Nacional – também conhecido por Cancioneiro de Colocci-Brancuti, em homenagem a um de seus antigos possuidores. É o mais completo de todos, contendo 1647 cantigas de todos os gêneros. Encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, em Portugal.
Poesia - CANTIGAS
Líricas - De amor, De amigo.
Satíricas - De escárnio, De maldizer
Nas
Cantigas de Amor, de origem provençal (Provença região sul da França), o trovador, posicionando-se num plano inferior – como um vassalo, canta o sofrimento pelo amor não correspondido e as qualidades de uma mulher idealizada e inatingível, a quem chama de “minha senhor”.
“Senhor fremosa, pois me non queredes
creer a coita en que me tem amor,
por meu mal é que tan bem parecedes
por meu mal vos filhei por senhor
e por meu mal tan muito bem oí
dizer de vós, por meu mal vos vi
pois meu mal é quanto bem vós havedes.”
(Martim Soares, século XIII)
Originárias da Península Ibérica, as
Cantigas de Amigo apresentam um eu-lírico feminino, embora fossem produzidas por homens. Nelas a mulher canta a ausência do “amigo” que está afastado, geralmente a serviço do rei ou em guerras. Ao contrário das primeiras, que refletiam a corte, as Cantigas de Amigo descrevem um ambiente pastoril, a moça ao cantar seus sentimentos dialoga com a mãe, a amiga e elementos da natureza.
“Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
e ai deus, se verrá cedo!
Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
e ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
e ai Deus, se verrá cedo!...”
( Martim Codax, século XIII)
Produzidas com o objetivo de satirizar as pessoas e os costumes da época, as
Cantigas de Escárnio continham uma sátira indireta, marcada por ambiguidades e sutilezas, dificultando a identificação da
pessoa atacada.
“Ua dona, nom digu’eu qual,
non agoirou ogano mal
polas oitavas de Natal:
ia por as missa oir
e ouv’un corvo carnaçal,
e non quis da casa sair...”
(Joan Airas de santiago, século XIII)
Já as
Cantigas de Maldizer continham ataques diretos, sem a preocupação de ocultar a identidade da pessoa satirizada, apresentando muitas vezes expressões de baixo nível e obscenidades.
“Ai, don fea! Fostes-vos queixar
porque vos nunca louv’en meu trobar;
mais ora quero fazer un cantar
en que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandía...”
(Joan Garcia de Guilhade, século XIII)
Prosa - NOVELAS DE CAVALARIA
A prosa medieval, posterior à poesia, é representada basicamente pelas
novelas de cavalaria, narrativas de cunho cavaleiresco e religioso que contavam as aventuras de grandes reis e seus cavaleiros.
Destacam-se entre elas a História de Merlim, José de Arimatéia e a Demanda do Santo Graal. Havia também outros textos em prosa, assim divididos:
• Hagiografias – biografia de santos;
• Livros de Linhagens ou Nobiliários – relatos genealógicos de
famílias nobres;
• Cronicões – livros de crônicas.
Para terminar Marcadores, costuma-se afirmar, didaticamente, que o Trovadorismo termina com a nomeação de Fernão Lopes (Figuraça da prosa humanista) para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em 1418, marcando o início do Humanismo, tema do nossa próxima postagem dessa Edição mais que especial, mais que longa e cansativa, mais que tudo, mas para vocês.
Termino essa postagem nesse ar provençal, para quem se interessar em uma leitura extra, seguem alguns endereços referentes ao assunto, e como sempre imagens para deixar-nos com gostinho de quero mais.
Espero que gostem, espero sugestões, espero vocês na próxima postagem. Obrigada pela leitura!
A.M.
http://www.geocites.com/athens/thebes/1862/trovadorismo.html
http://alfarrabio.um.geira.pt/vercial/trovador.htm
http://geocities.com/ink_br/trovadorismo.htm
http://www.youtube.com/watch?v=Q_1EDSpz-fE
''É possível sentir o clima provençal, cantigas correm soltas pelas torres palacianas, levadas pelos ventos perfumados das rosas do campo da saudade que ecoam ao som da trova solitária que vaga pelos ares, na esperança de ter sua voz ouvida pela pessoa amada, de ser ouvida ao menos''.
Amanda Mirella