VOCÊ NUNCA ESTÁ SÓ
Você nunca está só. Sempre a seu lado
Há um pouquinho de mim pairando no ar.
Você bem sabe: o pensamento é alado...
Voa como uma abelha sem parar.
Veja: caiu a tarde transparente.
A luz do dia se esvaiu...
Uma sombra alongou-se a seus pés mansamente...
Esta sombra sou eu.
O vento, ao pôr-do-sol, num balanço de rede,
Agita o ramo e o ramo um traço descreveu.
Este gesto de ramo na parede
Não é do ramo: é meu.
Se uma fonte a correr chora de mágoa
No silêncio da mata, esquecida de nós,
Preste bem atenção nesta cantiga da água:
A voz da fonte é a minha voz.
Se no momento em que a saudade se insinua
Você nos olhos uma gota pressentiu,
Esta lágrima, juro, não é sua...
Foi dos meus olhos que caiu...
(Olegário Mariano)
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terça-feira, 8 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Atravessar a rua.
É noite.
duas luas na esquina,
dez e meia no relógio.
desço da locomotiva insana,
sangrando cansaços do dia
com minha visão de vertigem vazia.
Triste condição.
dou um passo á frente.
Avenida Morte.
conto com a sorte,
fortalezas amarelas,
curto espaço, passarelas.
Terceira margem,
aqui estou.
cada segundo é um novo mundo.
meu corpo é frio,
não de medo:
de vazio.
Num piscar, faróis acendem.
descuido, tropeço.
e o vento me cobre
e o medo me cabe,
em sua dúvida insana.
Ao redor, ninguém.
bem acima, a lua.
na esquina vazia, a outra não mais.
Sou poeira
de piche, de rua.
desnuda memória.
Sou noite agora.
meu tempo é minha hora.
e o brilho latente da estrela
de mais uma poeira falecida.
...
Quantas lembranças,
quantos desejos cabem
em dois segundos de vida?
A.M.
duas luas na esquina,
dez e meia no relógio.
desço da locomotiva insana,
sangrando cansaços do dia
com minha visão de vertigem vazia.
Triste condição.
dou um passo á frente.
Avenida Morte.
conto com a sorte,
fortalezas amarelas,
curto espaço, passarelas.
Terceira margem,
aqui estou.
cada segundo é um novo mundo.
meu corpo é frio,
não de medo:
de vazio.
Num piscar, faróis acendem.
descuido, tropeço.
e o vento me cobre
e o medo me cabe,
em sua dúvida insana.
Ao redor, ninguém.
bem acima, a lua.
na esquina vazia, a outra não mais.
Sou poeira
de piche, de rua.
desnuda memória.
Sou noite agora.
meu tempo é minha hora.
e o brilho latente da estrela
de mais uma poeira falecida.
...
Quantas lembranças,
quantos desejos cabem
em dois segundos de vida?
A.M.
domingo, 12 de janeiro de 2014
O AMOR
somos um livro
está tudo escrito
no dna do espírito
nas cartas astrológicas
nos meridianos dos corpos
na íris dos olhos
no alfabeto do infinito
nosso contrato de risco
é escapar ao inaudito
(as garras do hipogrifo)
e escrever c/fogo e luz
no espaço em branco dos capítulos
o nosso mito
somos um livro
está tudo escrito
no dna do espírito
nas cartas astrológicas
nos meridianos dos corpos
na íris dos olhos
no alfabeto do infinito
nosso contrato de risco
é escapar ao inaudito
(as garras do hipogrifo)
e escrever c/fogo e luz
no espaço em branco dos capítulos
o nosso mito
(Luís Augusto Cassas)
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Além-mais...
''E deixe que o mar te leve junto a ele, de verdade, deixe-se levar, pois ele esconde segredos e sossegos imensuráveis. Não precisa saber nadar, porque no mar tudo ganha vida nova, se renova. Lava-se a alma''.
A.M.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Um pouco de vida...
O menino azul
O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.
Cecília Meireles.
A.M.
sábado, 30 de março de 2013
Alusão.
Sai da Frente Poético
Quando passei um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai ser universitária na vida.
Cargo muito pesado para menina,
esta espécie ainda deslocada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar fugir.
Não sou feia que não possa namorar,
acho o Recife uma beleza
e ora sim, ora não, creio em TCC sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina. Inauguro linhagens,
fundo reinos - dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu tio Motô.
Vai ser universitário na vida é maldição para homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.
Amanda Mirella.
E aí Marcadores! O poema, fala sobre minhas expectativas e perspectivas a respeito da universidade. Bom, como vocês bem devem conhecer o poema de Adélia Prado, Com Licença Poética, fiz essa alusão a um escrito tão querido e versátil como este!
Espero que gostem, espero sugestões, espero vocês na próxima postagem. Até lá!
Obrigada pela leitura!
A.M.
Quando passei um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai ser universitária na vida.
Cargo muito pesado para menina,
esta espécie ainda deslocada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar fugir.
Não sou feia que não possa namorar,
acho o Recife uma beleza
e ora sim, ora não, creio em TCC sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina. Inauguro linhagens,
fundo reinos - dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu tio Motô.
Vai ser universitário na vida é maldição para homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.
Amanda Mirella.
E aí Marcadores! O poema, fala sobre minhas expectativas e perspectivas a respeito da universidade. Bom, como vocês bem devem conhecer o poema de Adélia Prado, Com Licença Poética, fiz essa alusão a um escrito tão querido e versátil como este!
Espero que gostem, espero sugestões, espero vocês na próxima postagem. Até lá!
Obrigada pela leitura!
A.M.
Interação em Ação
Com Licença Poética
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Poema de sete faces
''Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida''.
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Poema de sete faces
''Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida''.
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