É noite.
duas luas na esquina,
dez e meia no relógio.
desço da locomotiva insana,
sangrando cansaços do dia
com minha visão de vertigem vazia.
Triste condição.
dou um passo á frente.
Avenida Morte.
conto com a sorte,
fortalezas amarelas,
curto espaço, passarelas.
Terceira margem,
aqui estou.
cada segundo é um novo mundo.
meu corpo é frio,
não de medo:
de vazio.
Num piscar, faróis acendem.
descuido, tropeço.
e o vento me cobre
e o medo me cabe,
em sua dúvida insana.
Ao redor, ninguém.
bem acima, a lua.
na esquina vazia, a outra não mais.
Sou poeira
de piche, de rua.
desnuda memória.
Sou noite agora.
meu tempo é minha hora.
e o brilho latente da estrela
de mais uma poeira falecida.
...
Quantas lembranças,
quantos desejos cabem
em dois segundos de vida?
A.M.

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